terça-feira, 12 de outubro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
No Coração, Talvez

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
terça-feira, 22 de junho de 2010
7 kg
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Dia da Espiga

O "Dia da Espiga" ou "Quinta-feira da Espiga" é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga.
Segundo a tradição, o ramo deve ser colocado por trás da porta de entrada e só deve ser substituído por um novo ramo no "Dia da Espiga" do ano seguinte.
As várias plantas que compõem "a espiga" têm um valor simbólico profano e um valor religioso. Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.
Simbologia inerente às plantas que formam o "ramo de espiga":
Espiga – pão;
Malmequer – ouro e prata;
Papoila – amor e vida;
Oliveira – azeite e paz;
Videira – vinho e alegria;
Alecrim – saúde e força.
sábado, 1 de maio de 2010
Ser
sexta-feira, 23 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
O Homem que só pensava em bronze

"A Eterna Primavera", de Rodin.
Havia um homem que só conseguia pensar em bronze. E um dia teve uma ideia. Era a ideia da Felicidade que Mora no Momento, e o homem sentiu-se obrigado a expressar essa ideia. Mas todo o bronze do mundo já tinha sido usado, e embora procurasse em todo o lado, não conseguia encontrar nenhum pedaço. E o homem pensou que iria dar em doido se não desse expressão à sua ideia.
Então lembrou-se do pedaço de bronze com o qual esculpira a estátua no túmulo da mulher. No túmulo da mulher colocara ele a estátua, pois ela fora a única mulher que ele amara na vida. Era a estátua da Dor Eterna, da Dor que Mora em Todas as Coisas. E o homem pensou que enlouqueceria se não desse expressão à sua ideia.
Assim postou-se perante a estátua da Dor Eterna, a Dor que Mora em Todas as Coisas. E, pegando na estátua, partiu-a e derreteu-a no fogo. E com o bronze da estátua da Dor Eterna construiu a estátua da Felicidade que Mora no Momento.
Oscar Wilde
“Histórias à volta da mesa”
quinta-feira, 1 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
A vida num sopro de infância...

A vida num sopro de infância
Uma ganância por atingir
Na ânsia daquilo que não sou,
Que jamais serei e que nunca há-de vir...
Da noite amargurada nada ficou
Tudo restou daquilo que não senti
No dia em que parti...
E ao longe te vi
E, agora, e aqui
Renasço daquilo que não vivi,
Daquilo que não sonhei,
Daquilo para o qual jamais nasci
E para sempre apaguei...
quarta-feira, 24 de março de 2010
Pedras no caminho...

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta .
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... "
Fernando Pessoa
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A Morte e o Amor à Vida
Julguei que podia quebrar a profundeza a
imensidade
Com o meu desgosto nu sem contacto sem eco
Estendi-me na minha prisão de portas virgens
Como um morto razoável que soube morrer
Um morto cercado apenas pelo seu nada
Estendi-me sobre as vagas absurdas
Do veneno absorvido por amor da cinza
A solidão pareceu-me mais viva que o sangue
Queria desunir a vida
Queria partilhar a morte com a morte
Entregar meu coração ao vazio e o vazio à vida
Apagar tudo que nada houvesse nem o vidro
nem o orvalho
Nada nem à frente nem atrás nada inteiro
Havia eliminado o gelo das mãos postas
Havia eliminado a invernal ossatura
Do voto de viver que se anula
Tu vieste o fogo então reanimou-se
A sombra cedeu o frio de baixo iluminou-se de
estrelas
E a terra cobriu-se
Da tua carne clara e eu senti-me leve
Vieste a solidão fora vencida
Eu tinha um guia na terra
Sabia conduzir-me sabia-me desmedido
Avançava ganhava espaço e tempo
Caminhava para ti dirigia-me incessantemente
para a luz
A vida tinha um corpo a esperança desfraldava
as suas velas
O sono transbordava de sonhos e a noite
Prometia à aurora olhares confiantes
Os raios dos teus braços entreabriam o nevoeiro
A tua boca estava húmida dos primeiros orvalhos
O repouso deslumbrado substituía a fadiga
E eu adorava o amor como nos meus primeiros
tempos
Os campos estão lavrados as fábricas irradiam
E o trigo faz o seu ninho numa vaga enorme
A seara e a vindima têm inúmeras testemunhas
Nada é simples nem singular
O mar espelha-se nos olhos do céu ou da noite
A floresta dá segurança às árvores
E as paredes das casas têm uma pele comum
E as estradas cruzam-se sempre
Os homens nasceram para se entenderem
Para se compreenderem para se amarem
Têm filhos que se tornarão pais dos homens
Têm filhos sem eira nem beira
Que hão-de reinventar o fogo
Que hão-de reinventar os homens
E a natureza e a sua pátria
A de todos os homens
A de todos os tempos.
Paul Eluard,
in "Algumas das Palavras"
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Palavra rasurada
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